Criança devoradora de
histórias
Acho que desde que me entendo
como gente tenho contato com a leitura. Na minha casa sempre teve inúmeros
livros e meus pais também me incentivavam muito a ler. Lia tudo que encontrava
pela frente, clássicos da Disney, enciclopédias, “Manual do Escoteiro Mirim” (podem
rir, eu adorava!), quadrinhos etc. A escola não incentivava tanto a leitura,
não consigo me lembrar de grandes incentivos, mas tive uma professora na 3ª e
4ª séries, que exigia a leitura de livros e isso nunca foi problema para mim. Aos
doze anos, fuçando na estante de livros de casa, achei um da Agatha Christie:
“O caso dos dez negrinhos”, li e me apaixonei pelo clima de mistério que
cercava os romances dela. Foi a partir daí que deixei as leituras
infanto-juvenis de lado e passei para os romances mais densos. Minha primeira
experiência com a leitura dos clássicos brasileiros veio com “O Cortiço”, me
apaixonei pela Rita Baiana, pelas descrições e assim continuei, sempre tendo um
livro como companheiro, me possibilitando a oportunidade de viajar sem sair do
lugar, de construir imagens, sentir os cheios, as texturas, ouvir os sons das
histórias ali narradas.
Hoje em dia não sou mais
aquela leitora contumaz de antigamente, o cotidiano nos afasta um pouco da
leitura pela fruição, mas ela continua me instigando sempre e hoje entendo e me
sinto como a personagem criada por Clarice Lispector no conto “Felicidade
Clandestina”: “Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu
amante.”
Profª Vanessa - Português/Inglês
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