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sábado, 28 de abril de 2012


Uma crônica se caracteriza por relatos de fatos que visam despertar no leitor a curiosidade ou o efeito de humor,  de forma que haja um compartilhamento dos sentimentos vividos pelo narrador.  Há presença de palavras que expressam emoções ou sentimentos.
Espero ter atingido os objetivos nesta crônica que compartilho.

  Marisol Santana Gonsalez Machado


Fugindo da rotina

Aroldo era um homem metódico, gostava da organização, da rotina e das atividades planejadas nos seus devidos horários. Estava aposentado há um  ano e meio e cada dia era  o mesmo ritual: levantar-se às 7 horas da manhã, levar seu cachorro para passear, preparar as refeições pontualmente, ler seu livro ou ver um filme e deitar-se o mais cedo possível.
Esse estilo de vida fazia com que se sentisse seguro, protegido. As vezes um amigo ou outro lhe telefonava  convidando-o para sair e fazer uma programação descontraída, mas ele sempre tinha a mesma desculpa de sempre, de que não se sentia disposto, ou que havia alugado na locadora um filme muito interessante ou outra desculpa esfarrapada qualquer. O fato é que ultimamente seus amigos já  nem insistiam mais. O ultimo foi Julio  que em tom de brincadeira havia dito: _“ Um dia desses, vou te buscar pessoalmente, nem que seja para te levar ao inferno!”.
Naquele domingo, Aroldo em sua cama, pontualmente  às 7h abriu os olhos e olhou no relógio da cabeceira,  era a hora de levantar-se. Foi ao banheiro, escovou os dentes, lavou o rosto e antes de que terminasse de enxugá-lo, ouviu a campainha tocar e se perguntou: - “Quem seria àquela hora?”. Foi até a porta e  ao abri-la  se deparou com um homem caído na soleira de sua porta. Não havia mais ninguém na rua, abaixou-se  e ao tocar o homem percebeu que estava  morto. O homem estava de bruços, com o rosto escondido pelo braço, mas curiosidade era enorme, de forma que virou o corpo até que pudesse ver seu rosto. Aroldo empalideceu, pois seu  espanto foi imenso,  era o seu amigo Julio. Pensou consigo mesmo que Julio havia cumprido sua missão de ajudá-lo a sair do marasmo, ao menos naquele dia. Logo em seguida  foi até a sala e telefonou para a Central de Polícia.

  

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